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Pedro Fernandes
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O cisne negro é um conceito normalmente associado a um evento raro e que provoca um impacto adverso. Fazendo uma retrospetiva dos últimos três anos, identifico não um, mas três cisnes negros que têm, e irão certamente causar, um impacto imprevisível. 

Quem poderia imaginar que em pleno século XXI poderíamos enfrentar uma guerra ou uma pandemia? O certo é que em 2019 aparece um cisne negro, de seu nome covid-19.

E quando parecia que estaríamos a recuperar de um pesadelo, eis que surge o segundo ‘cisne negro na forma de uma guerra em plena Europa. Como se tudo isto já não fosse suficientemente negro e como se costuma dizer que ‘não há duas sem três’ -, eis que, recentemente, Christine Lagarde (Presidente do Banco Central Europeu) sinaliza que o início da subida das taxas de juro (terceiro cisne) estará para breve, seguindo desta forma as ‘pisadas’ de Jerome Powell (presidente da Reserva Federal dos EUA) que começou a disparar os juros para controlar a inflação. 

Visto desta forma, até parece uma história perfeita para Hollywood… mas é a dura realidade.

Mas o que pode o leitor fazer para se ‘defender’ da subida das taxas de juro?

Em primeiro lugar olhe para o spread do seu crédito e compare com os valores praticados por outras instituições. Se for superior, está na hora de renegociar o contrato com o seu banco e analisar se vale a pena mudar para taxa fixa (solicite várias simulações).

Em segundo lugar, reveja o seguro de vida associado ao crédito. Se subscreveu um seguro proposto pelo banco quando contratou o crédito é provável que tenha uma bonificação no spread. Ainda assim faça as contas, pois pode ser vantajoso mudar e o que poupar mensalmente no seguro poderá servir para suportar o aumento dos juros.

Em terceiro lugar, e se tiver folga orçamental para isso, pondere amortizar parcialmente o seu crédito. O valor da prestação baixará e será menor o impacto do aumento das taxas de juro.

Por último, e se tem outros créditos com taxa variável, equacione consolidá-los. Ao juntar todos os créditos, embora o prazo de pagamento vá tornar-se mais longo, a verdade é que lhe dará mais liquidez todos os meses, permitindo-lhe suportar uma eventual subida da prestação.

FONTE© Rawpixel, Envato