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Por esta altura, a cidade de Yakutsk, na Sibéria oriental, localizada a mais de cinco mil quilómetros de Moscovo, acusa nos termómetros 50 graus Celsius negativos. Uma vaga de frio extremo enregelou uma região já há muito habituada às temperaturas negativas.

Aqui, os moradores costumam ver os termómetros abaixo dos 40 graus negativos, mas há dias em que o frio é tanto que garantem: não há termómetro que resista e seja capaz de medir o frio.

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Em Yakutsk, na Sibéria oriental o termómetro marca perto de 50 graus centígrados | © Reuters

Em 2018 o frio era tanto que os residentes garantiram que as pestanas congelavam após o contacto com o ar. 

Aqui o frio é severo, principalmente para quem chega de fora. E a experiência com estas temperaturas extremas é tudo menos fácil, mesmo para quem, pela lógica, já poderia estar acostumado a conviver nestas condições.

“A primeira coisa que sentes, que é um pouco estranha, é quando respiras, porque o ar entra frio e não aquece no nariz”, explica Maksim Zommer, que chegou há poucos dias à cidade, oriundo de São Petersburgo, na Rússia, onde as temperaturas são igualmente pouco convidativas. “Mas depois o corpo adapta-se. O problema para mim, assim como para muitos dos que vêm da parte europeia, é que o nariz congela. Provavelmente é porque são mais compridos do que os dos moradores locais”, graceja.

“Vestir como um repolho”

Os locais adaptam-se à vida quotidiana sem grandes truques. “Apenas vestir de forma quente, em camadas. Como um repolho”, conta Nurgusun Starostina, à agência Reuters. Para esta vendedora de peixe congelado não há frio que a abale. “Vestimo-nos em conformidade e sentimo-nos bem. É isso. Trabalhamos”.

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Nurgusun Starostina é vendedora de peixe e explica como consegue viver com temperaturas negativas | © Reuters

Conselhos simples, mas sábios, de quem enfrenta temperaturas negativas a um nível que poucos podem sequer imaginar. O mesmo acontece com Anastasia Gruzdeva, uma bloguer que vive nesta cidade siberiana, considerada um dos pontos mais frios do planeta Terra.

Também ela revela que o segredo está na roupa e nas várias camadas utilizadas para ultrapassar o frio.

“É impossível lutar contra isto. Ou nos adaptamos e vestimos de acordo ou sofremos. É bem simples, na verdade. Eu tenho duas luvas, dois cachecóis. Sapatos quentes são uma obrigação. Precisas de cobrir cabeça. Tudo isto é muito importante. Também deves usar calças quentes, porque a maior perda de calor acontece na área das pernas. Se as tuas pernas estiverem frias, então vais ficar com frio. O importante é vestires-te bem”, explica Anastasia Grudzdeva à agência Reuters.

Na verdade, estes moradores nem se queixam das temperaturas. Para eles está tudo bem. “Não se sente realmente frio na cidade. Ou talvez seja só o cérebro que nos prepara para isto, e diz-nos que está tudo normal”, explicou aquela habitante de Yakutsk, cidade que é o lar de menos de um milhão de habitantes.

Do frio aos incêndios

Pode dizer-se que Yakutsk é uma cidade de extremos, principalmente no inverno. Na Sibéria, esta estação começa em outubro e termina em maio, com as temperaturas mais frias a registarem-se em janeiro.

Mas este território russo também é palco de um verão simpático. Em junho, as temperaturas podem chegar aos 30 ºC, sendo que durante os meses de verão o sol é uma constante, uma vez que só existem quatro horas de escuridão natural por dia.

Em 2021, a região foi atingida por grandes incêndios florestais, eventos sem precedentes, que preocupam os especialistas que estudam as alterações climáticas.

As chamas foram alimentadas por uma pouco usual onda de calor que atingiu territórios na Sibéria, com os cientistas a alertarem que os incêndios florestais estão a tornar-se maiores e mais intensos ao mesmo tempo que afetam cada vez mais locais pouco acostumados a este tipo de eventos.

 

FONTE© Reuters