Passou por várias emissoras brasileiras, mas foi na Record TV que atingiu grande sucesso e conquistou audiências. É o rosto de ‘Cidade Alerta’, um dos programas mais emblemáticos da TV.

Porque escolheu seguir uma carreira no jornalismo?

Desde pequeno, sempre tive facilidade em falar com as pessoas, sempre fui muito desinibido. Na escola quando precisavam de um representante de turma, era o escolhido. Sempre tive essa vontade de conversar, de investigar, de defender os direitos dos outros. Como tinha essa predisposição para a comunicação, achei que o curso de Jornalismo era essencial para enriquecer-me com teorias e fundamentos, que no futuro fossem necessários no meu trabalho.

Na Record TV chamam-lhe ‘menino de ouro’. Como surgiu a alcunha?

Foi dada pelo Marcelo Rezende, que tinha duas versões para o motivo. A primeira foi por causa de uma gravata de ouro. Quando apareci no ‘Cidade Alerta’ com essa gravata, o Marcelo colocou óculos de sol e disse: “Nossa, que gravata brilhante, que gravata forte. Isso parece uma gravata de um menino de ouro”. Mas mais tarde, ele disse que o apelido tinha outra origem. Eu trabalhava no Rio de Janeiro, onde fazia o programa da manhã, e à tarde voltava para a Record TV para participar no ‘Cidade Alerta’, com o Marcelo. Então, ele dizia: “Isso aí é um menino de ouro, trabalha tanto, gosta tanto de televisão…”. 

O que mais mudou desde que começou a sua carreira?

Primeiro, a exposição e depois como trabalhei muito tempo de borla, financeiramente a diferença também é muito grande. Trabalhei dois anos ou mais de graça porque sabia que era uma etapa que tinha de passar e que estava a aprender.

A apresentação do programa ‘Cidade Alerta’, durante o afastamento de Marcelo Rezende, foi uma prova de fogo na sua carreira. Como surgiu este convite?

Eu já era o substituto do Marcelo, definido pela casa. Assim que ele teve de se afastar fui imediatamente acionado. O Marcelo comentava que tinha de fazer uns check-ups de saúde, mas pensei que era algo de rotina. Demorei a perceber que era algo grave.

Como foi manter o programa após a saída definitiva do apresentador?

Foi difícil, mas sempre acreditei que daria certo, porque se ele não estivesse no programa, faria questão de que alguém que ele ‘moldou’ continuasse o seu legado. Nem todas as pessoas acharam que era possível, mas quando fazes o que gostas, com coração, acho que te reconhecem e admiram.

“Quando fazes o que gostas, com coração, acho que te reconhecem e admiram”

Como lida com a exposição pública que este programa lhe dá?

A exposição pública quando há carinho, quando és reconhecido pelo público é tranquila, porque trabalhamos justamente para esse propósito. O problema no ‘Cidade Alerta’ é que surgem muitos ‘desafetos’. Este programa torna-te numa vitrina e ficas sujeito a elogios e a pedradas. Como fazemos um programa de investigação, muitas vezes, dizemos o que muitos não querem ouvir e, por vezes, até recebemos ameaças, mas eu consigo lidar normalmente com isso.

Toda a gente comenta o caderno que usa no programa…

Na verdade esse caderninho foi uma teimosia minha. A produção queria que eu usasse um tablet, só que eu ainda sou da época do papel e da caneta, sou da altura em que o repórter escrevia os textos no papel e o motorista do carro da reportagem não se baseava no GPS… Então, consigo fazer anotações e colher informações passadas pelos entrevistados com mais agilidade no caderno do que no tablet. Acabou por se tornar uma marca registada e eu divirto-me com isso.

Já esteve em Portugal várias vezes. Do que mais gosta no nosso país?

Sou apaixonado por Portugal, gosto muito da comida portuguesa e do Bairro Alto. Foi o primeiro país onde fiz uma reportagem internacional, em 2006. Conheci o país todo: Évora, Serpa, Beja, Porto, Algarve, Coimbra, Ilha da Madeira… Então, acho que tenho essa memória afetiva por causa disso e adoraria apresentar um programa em Portugal, simultaneamente a trabalhar no Brasil.

FONTE© Edu Moraes/Record TV